Marca pessoal, fotografia profissional e impacto social: uma mensagem no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência · 03 de Dezembro
Uma reflexão sobre inclusão a partir do projeto de marca pessoal. Estratégia, fotografia e impacto social no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.
Quantas pessoas com deficiência fazem parte do meu convívio?
Essa pergunta nasceu da minha convivência com a Ana Paula Fonseca, a Aninha, e passou a orientar toda a experiência que tivemos juntas. E hoje, no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, ela faz ainda mais sentido.
Meses atrás, a Aninha me procurou com uma pergunta simples:
“Cassia, o que você acha do meu Instagram?”
Eu guardei aquela resposta. Sabia que precisava de tempo para olhar com calma, me aprofundar e conseguir contribuir à altura. Fui encontrando a Aninha em alguns eventos e, a cada reencontro, crescia a minha admiração pela sua simpatia, energia e pelos projetos que ela movimenta: o lançamento de livro em coautoria, o podcast Diversicast, a participação como jurada no Concurso de Moda Inclusiva, realizado pela Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência, na Pinacoteca de São Paulo, entre outras iniciativas igualmente marcantes. Sem contar o carnaval, em que ela é destaque desfilando pela escola de samba Unidos de Vila Maria
Ao poucos, fui convivendo com ela em diferentes espaços, ouvindo mais, entendendo melhor sua trajetória e a forma como ela ocupa o mundo como uma mulher que usa cadeira de rodas. E aquela pergunta começou a ecoar com mais força em mim.
Quando a minha agenda abriu uma brecha, retomei a pergunta que ela havia me feito e fiz o convite que já vinha amadurecendo: participar do Marca Essencial, meu processo de estratégia de marca pessoal pela C•Niel®. No caso da Aninha, a escolha foi apoiar seu perfil e, junto com isso, ampliar a reflexão sobre convivência e inclusão para dentro da minha própria bolha.
Conexão
A etapa da conexão é essencial para o desenvolvimento do trabalho e pelo entendimento profundo da pessoa por trás dos perfis. Com a Aninha não foi diferente.
O primeiro movimento foi olhar para a presença digital atual: canais ativos, forma de se apresentar, temas recorrentes, onde a mensagem estava clara, onde se perdia e onde o potencial não aparecia como poderia.
Depois, vieram duas etapas que considero centrais no Marca Essencial:
- uma conversa em profundidade para ouvir sua trajetória e entender objetivos, desafios, intenções e desejos de realização
- o ensaio fotográfico em estúdio, para que a imagem acompanhasse essa virada e para que a Aninha se visse e fosse vista como ela é: uma mulher articulada, presente, com história, causa e repertório
A parceria com Suzana
Esse é o momento em que levo o projeto para a Suzana Mendes, parceira de longa data em retratos profissionais e em outros trabalhos que compartilhamos. Apresentei a proposta de fazermos esse projeto, unindo estratégia de marca, fotografia profissional e impacto social.
“Quando a Cassia me contou sobre o projeto da Aninha, entendi imediatamente que se tratava de algo maior do que um ensaio fotográfico. A proposta unia a essência do Marca Essencial, que já é um processo potente de autoconhecimento e posicionamento, com uma camada de impacto social muito significativa.
Aceitei o convite na hora, porque acredito profundamente na fotografia como ferramenta de representação e inclusão. Foi um privilégio poder contribuir com a expressão visual de uma mulher que, além de inspirar por sua trajetória, representa tantas outras pessoas que buscam ocupar espaços com autonomia e presença.
Trabalhar em parceria com a C•Niel® nesse projeto reafirma o que temos em comum: a crença de que comunicar uma marca pessoal é, antes de tudo, comunicar valores e humanidade.”
Suzana Mendes
Ensaio fotográfico como parte essencial dessa jornada
A partir daí, começamos a desenhar a experiência no estúdio com uma pergunta-guia muito simples e muito séria: o que significa, na prática, preparar um espaço para receber bem uma pessoa com deficiência?
Dentro do Marca Essencial, o ensaio profissional no estúdio da Suzana Mendes é uma experiência que não pode faltar. Dessa parceria nasceu também uma collab muito especial: Marca Essencial + Retratos Singulares. Não se trata de “foto bonita”. A imagem é tratada como ativo de marca pessoal, que apoia identidade, individualidade, representatividade e credibilidade.
Antes de pensar em como seriam os cliques, veio a pergunta: o estúdio está, de fato, preparado para receber uma pessoa com deficiência que usa cadeira de rodas?
Foi então que eu e a Suzana começamos a pesquisar, estudamos o espaço e montamos um checklist pensando em circulação, largura das portas, área de manobra, fluxo do ensaio, apoio para troca de roupas, uso de banheiro e o conforto que é a premissa do estúdio para todos os seus clientes.
Só depois disso o ensaio poderia seguir como parte da estratégia, com a Aninha no centro de todas as decisões.
A experiência no estúdio
Quando a Aninha chegou acompanhada da mãe, tudo já estava pronto: vaga reservada, portaria alinhada, estúdio preparado, tempo estendido, ambiente acolhedor.
E o mais bonito: o primeiro ensaio em estúdio da Aninha. Ela viveu a experiência com autonomia, leveza, confiança e alegria.
Ao final, sua mãe enviou uma mensagem de agradecimento dizendo que a Aninha se sentiu muito valorizada. A experiência no estúdio tem esse poder e o olhar da Suzana deixa as pessoas que acompanhamos sempre muito satisfeitas, o que agrega muito valor à entrega final da Marca Essencial.


Nosso aprendizado
Eu aprendi com a Aninha que, para incluir, é preciso conviver. E conviver, por si só, é aprender com a prática, considerando as necessidades e a individualidade do outro, ajustar o que for necessário para criar condições reais de participação. É olhar para o que há de potência, não de limitação.
Por isso faço questão de convidar você a acompanhar o perfil da Aninha no Instagram e a própria transformação que ainda será implementada. As mudanças ainda não estão no ar, mas o processo já revela muito sobre o caminho que escolhemos seguir.
Para mim e para a Suzana, esse projeto tem sido um exercício de amadurecimento: entender se a nossa forma de trabalhar é realmente inclusiva, se o espaço do estúdio acolhe quem usa cadeira de rodas, se estamos dispostas a adaptar e melhorar.
Essa pergunta segue comigo: quantas pessoas com deficiência fazem parte do meu convívio, dos meus projetos, dos espaços que eu ajudo a construir?
E você, já parou para pensar, quantas pessoas com deficiência fazem parte do seu convívio?
Neste 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, deixo aqui alguns registros do ensaio e do making of como um convite para olharmos com mais atenção para a inclusão e a acessibilidade dos espaços que frequentamos e ajudamos a construir.


